domingo, 17 de julho de 2011

MINHA VIDA NA ROÇA

Hoje o ORGÂNICOS DA MANTIQUEIRA se superou! Fizeram um fogão a lenha ao lado da feira de orgânicos, com café, suco de mexiricas colhidas quase que na hora, bolo de cenoura, queijo fresco e, MEU DEUS! As BROAS!!!!!!!!!!! Eu já tinha feito broas de milho aqui no blog, ótimas, mas, do fundo do coração, nada, nada que se compare a essa. Claro, tem haver com o fubá, esse deve ser GROSSO, e não do fubá mimoso, fininho, que eles preferem usar para fazer bolinhos salgados fritos, os tais BOLINHOS CAIPIRAS (ótimos, aliás!), mas volto as broas! Além do fubá, tem o forno a lenha, tem o céu azul de inverno, tem o cheiro do café fresco ao lado, ou seja, difícil fazer igual...e tem também as mãos da DONA DELFINA, que completa 90 anos dia 10 de agosto ...e foi passando a broa de filha para filha, afinal tem DEZESSEIS  para continuar a tradição forno e fogão. Hoje, lá na feira, estavam a Maria da Penha e a Tereza Aparecida, (de Castro, por favor!).



 E assim foram sendo consumidas uma, duas, três broas, quatro, cinco, seis broas...e ninguém parava mais. Ainda dá tempo de subir a serra (COM CUIDADO, POR FAVOR!) e aproveitar Gonçalves, aproveitar as festas, que de juninas, passaram a JULINAS, de tão boas que são, aproveitar  as caminhadas, o frio, e comer essas coisas maravilhosas de quem sabe fazer, um fazer antigo, de quem sabe plantar, sabe colher. Sabe transformar milho em fubá, fubá em bolo, em broa, em dedo de prosa.
 E por falar em dedo de prosa, também tive a honra de conhecer  DONA SEBASTIANA DE ALMEIDA, que não sabe se faz 89 ou 90 anos, afinal, tem DOIS REGISTROS, mais comedida na quantidade de filhos, “apenas” OITO!  (e eu com esgotamento nervoso com apenas dois...) – ela e a família dela tem um açougue em Paraisópolis, bem pertinho daqui, e ela faz um TORRESMO FAMOSO, que atravessa a região, que conquista gente, paladares...ela me disse que até já cansou de tanta foto que fez...só não cansa de fazer os torresmos, os biscoitos, os bolos. Ela já estava lá, trocando receitas com as meninas da broa, e eu só lá de lado, escutando. Polvilho para cá, milho para lá, eu uso batata doce. Ah é? A gente costuma fazer com inhame. Ah, tem também aquele salgadinho, com um pouco de erva doce e queijo. É, e se a gente assar um pouco agora? GENTE, EU NÃO ESTOU BRINCANDO! Minha  manhã foi assim. DELICIOSA. Eu ainda não comi os torresminhos da DONA SEBASTIANA, mas comerei, porque segunda feira, a primeira cliente lá do açougue serei eu. E, quem sabe, de quebra, ainda faço um quitute com ela? Ah, e tinha oficina de PIPA também para a criançada. Eles, entre um picolé de amora e uma broa, uma pipa. Depois, suco, pipa. Depois, amendoim, pipa. Aí eu consegui meu dedo de prosa.

Saindo de lá, outra surpresa, também deliciosa. O RESTAURANTE PEDRA DO JAIR. Fica na VILA DO JUNCAL, mais afastado, em um lugar ALUCINANTE DE MARAVILHOSO, com um caminho incrível até o topo da pedra. Com outra mulher fantástica que assumiu o fogão  por lá. Faz quanto tempo? Só seis meses. Mas a senhora está aqui faz quanto tempo? QUARENTA ANOS, mas sabe por que não tinha o restaurante? Porque não tinha luz elétrica...ah, entendi. Ela viveu quarenta anos sem luz elétrica!  E a senhora gosta daqui? Não troco por nada nesse mundo. E, juro, dá para entender porque!


 Sem planejar nada, hoje foi a festa julina do Juncal, lá no restaurante dela, ficamos, é claro! Tinha de tudo um pouco, o tal do bolinho caipira (Esse eu volto para fazer com ela. Já combinamos!), canjica e arroz doce, a QUIRERA, claro! Pipoca, cachorro quente, bolo de fubá,pernil assado com um “pururuca” que eu nunca vi, batata doce assada no fogão a lenha, pinhão. Que “cata” no quintal, o quintal, é a pedra, a montanha, essa vista, esse infinito. E o pinhão, assa sabe como? NA FOGUEIRA ACESA!!!!!!!!! Pega bastante roseta (roseta?), sim, as garrinhas da pinha, essa que faz crec crec no fogo, junta com o pinhão, taca fogo e quando ele apagar, está na hora de comer o pinhão. Me pergunto- como, como NÃO VIR para cá? Esse lugar é mágico. E a lua ali, acompanhando o início da festa, uma gente simples, que gosta do simples, que está feliz com o que tem, que vive o momento, porque tem que prestar atenção no frio, na chuva, no sol, outono, inverno, verão, primavera. A gente sempre deveria acompanhar a natureza, não deveria? Aqui é época de morangos, de brócolis, de ervilhas frescas, de mexirica no pé. Saí de lá feliz, com canjica e pinhão.

Aí vai a receita TÃO especial de BROA DE MILHO DA DONA DELFINA, guardem, porque ISSO É RARIDADE!

1 quilo de fubá GROSSO
1\2 quilo de margarina ( reparei que elas preferem sempre o uso da margarina, por incrível que pareça, a manteiga não se produz aqui como imaginei, e fica mais caro, muito mais caro, do que a margarina. Então, Dona Delfina faz com margarina. Não sei o resultado usando manteiga, eu que NUNCA fiz nada com margarina!)
4 ovos
1\2 quilo de açúcar
600 grs de ABÓBORA COZIDA (o tipo que ela usou, é a moranga. Retira a polpa, cozinha, bate para virar um purê e utiliza 600 grs desse purê)
1 colher de café de bicarbonato- IMPORTANTE para a textura, Não dá para substituir.
1 colher bem cheia de fermento em pó Royal.
Misturar tudo à mão mesmo, com colher de pau e braço forte. Embrulhar na PALHA DE MILHO, colocar em uma assadeira, um do lado do outro. E assar. Quem tiver fornalha,....senão, no forno mesmo.

Quem não puder vir, por favor, tente fazer, passe um café e coma na varanda.

2 comentários:

  1. Oh que maravilhosa manhã!! Não estou aí dessa vez, mas um dia vou subir até lá com vcs!!!

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  2. Que pessoas especiais essas senhoras! E fiquei com vontade de curtir tudo isso também! traga umas bros pra gente!!!! Beijos Tia Thê

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