Ontem nós estávamos chegando com as crianças por aqui e vimos dois paragliders voando, um azul, o outro vermelho. Estavam lindos no céu, o Rafael ficou gritando, todo animado - balão, mamãe, balão...aí vimos uma plaquinha, PICO DA RAPOSA, VÔO LIVRE. Vamos? As crianças vão gostar de ver os paragliders...subimos, subimos, vista deslumbrante e dois caras prontos para pular no abismo. Um de laranja, o outro de amarelo. Já estavam com capacete, mochila, com cara de concentração. E um deles, o do amarelo, foi! Foi para o seu vô naquele céu azul que só a montanha em julho pode ter.

A Yasmin para mim- “Mamãe, que horas ele voa? E eu- Fabio, que horas ele sobe? E o Fábio- Ele não sobe. Ele caiu! O que?????????????????????? O cara CAIU?????????????????? Saímos correndo para a beira da “floresta” e o paraglider, o capacete, a mochila, estavam todos bem, só que láaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa embaixo! Sério que não acreditei! Foi no momento que chegamos. Imperdível mesmo foi a cara da Yasmin e do Rafael- sabe de desenho animado em que a boca abre e não fecha? NO MESMO DIA, chegamos em casa bem tarde e eu ainda não tinha a menor ideia o que fazer em relação ao bolo, afinal, assar sem forno, complica um pouco.
Como posso ter um projeto desses, passar quase um mês aqui e NÃO TER FORNO???????? Nem o meu forno a lenha tem forno, ele é uma “chapa” de churrasco velha da minha mãe, com uns tijolos que o Fábio construiu, ficou bonitinho, mas só serve para colocar pão e queijo na chapa no café da manhã com cheiro de lenha. E, no máximo, esquentar o café no bule. E só.
Fiquei vendo aqueles livros de receita meio antigos, que foram da minha mãe, depois a Mari, minha irmã, pegou, e eu trouxe alguma coisa para cá também. Alguém se lembra daquelas coleções tipo Claúdia Cozinha- os melhores salgados, docinhos apetitosos, para impressionar...então, o livro que descobri a “gororoba” é um que se chama DOCINHOS E BISCOITOS, ABRIL COLEÇÕES- esse eram quadradinhos de cenoura com frutas secas e achei a idéia legal para pic nic. Quando vi que NÃO VAI NO FORNO, é na panela e depois na travessa para esfriar e cortar, sabia que ia ser esse. Mas já aviso, a receita é muito doida, não tem a origem desse bolinho,nem a história, nem nada, parece meio libanesa, mas aí entra o leite condensado, o amendoim, sei lá...acho que foi alguém que abriu o armário, um dia, adaptou de algum árabe, e falou, “vai isso, vai isso também e comam aí”... Depois não digam que não avisei.
BOLO GOROROBA DE CENOURA NA PANELA
700 grs de cenoura
400 grs de leite condensado
125 grs de manteiga
100 grs de pistache (sem a casca)
50 grs de uva passa (hidratadas em água por 10 minutos)
6 grãos de cardamomo
50 grs de amendoim (sem casca)
4 colheres de sopa de couz couz marroquino
2 colheres de sopa de mel
MODO DE PREPARO E MINHAS ALTERAÇÕES
Cozinhe as cenouras no vapor por 30 minutos, depois, passe no processador para virar um purê e deixe em uma peneira para escorrer o líquido por pelo menos meia hora.
Em uma panela, com a manteiga já derretida, coloque o purê de cenoura, o cardamomo em pó, as uvas passas, o mel, e SEMPRE EM FOGO BAIXO, acrescente os pistaches, os amendoins, o couz couz e o leite condensado para umedecer e ligar o composto.
Forre uma assadeira com papel manteiga, despeje essa massa uniformemente e salpique a superfície com um pouco mais de pistache para enfeitar. Deixe esfriar por pelo menos uma hora. Quando ESTIVER BEM FRIO, desenforme e corte em quadradinhos, podendo ser conservado na geladeira até a hora de servir.
ALTERAÇÕES QUE EU FIZ
Aqui, na minha roça, não tenho cardamomo, e por coincidência, tinha dessa vez, um pouco de noz moscada (para quem quer dicas- eu gosto de fazer talharini com manteiga, noz moscada e queijo parmesão. Assim, simples. Maravilhoso. Fica a dica). Cenoura e noz moscada, boa combinação. Ok, vai para a panela. AMENDOIM E PISTACHE? Não tinha. Dez da noite. Sabe o que tinha? SUCRILHOS ORGANICOS SEM AÇÚCAR, tipo flocos de milho- pensei- ok, crocante também, vai dar uma liga, vai para a panela....e couz couz eu tinha. MAS achei estranho colocar o COUZ COUZ assim cru, então, coloquei um pouco de água fervendo por cima para hidratar, absorveu a água e aí sim, usei na receita. ALIAS, eu já tinha feito um bolinho com couz couz aqui no blog, no primeiro mês, mas bem diferente desse.
IMPRESSÃO QUE EU TIVE- que NUNCA, NUNQUINHA, essa receita iria funcionar, é uma GOROROBA na panela, ainda mais que EU NÃO TENHO PROCESSADOR aqui e tive que amassar a cenoura na mão, o que obviamente, deu um resultado “pedaçudo” e esquisito. Imaginem na panela...E também deixei o leite condensado ficar bastante tempo na panela até eu achar que deu “o ponto”, coisa que na receita, não falava nada.
Ah, e os pistaches por cima, para enfeitar...é claro que eu não tinha, então, enfeitei com granola...deu um ar super “paz e amor” para esses quadradinhos de cenoura, mas ninguém sabe do top secret leite condensado...existe orgânico? Eu não sei.
O Fábio olhou a GOROROBA e falou isso é um mingauzão, não vai virar bolo nunca. Vai, meu filho, vai! Só que eu, sinceramente, também achei que não.
HOJE DE MANHÃ, ele ERA UM BOLO!!!!! Deu para cortar em quadradinhos, é gostoso, NÃO É dos dezmais da minha vida, mas é diferente, e é bom. Levei para a FESTA JUNINA DO RANCHO BIJU, nada haver com festa junina, mas era o bolo do dia e eu queria que eles experimentassem. Só depois, quando voltei para casa, me lembrei que queria o FUBÁ deles, gente, vocês não tem noção o que é esse fubá do Rancho Biju...tem que vir para Gonçalves comprar...sinto muito, chicos! Mas vale muito a pena.

BOLO DE HOJE- ACHEI A VERSÃO ÁRABE DA GOROROBA
Agora vocês façam e comparem, como eu.
Esse bolinho se chama HALVA e eu NÃO ME LEMBRO de ter comido isso, nem na casa da minha mãe, nem na “parentada” lá de Baurue olhem, que a mesa era farta,viu? Já viram o LANCHINHO em casa de árabe? Vem, querida, hoje tem pouca coisa, mas é com carinho,viu,habibe? Não tem problema, lanchinho simples, eu gosto. Kibe, esfiha, hommus, pão Pitta, coalhada seca, figo, nozes, tâmaras, damascos, os doces bem doces com pistache, só um lanchinho mesmo, até a hora do jantar. Ah, entendi.
Mas a tal da HALVA, esse eu nunca vi. Meu pai que me corrija. E esse livro que achei também é um mistério. Normalmente, livro para ser bom, tem que ter AUTOR, um cara que você já admire, ou que você sabe que cozinha muito, e mesmo assim, as vezes, no livro, a pessoa não é muito didática. Eu também gosto de livros com fotos, meu problema, porque devem ter livros excelentes sem fotos, e eu não sei o que estou perdendo. Mas eu me desconcentro, preciso ver a cor, quase como comer a foto. Acho que foi por isso que comprei esse, não me lembro mais. Porque ele NÃO TEM AUTOR! Se chama DISHY DESSERTS, cheio de idéias legais, de todos os lugares, mas sem uma referencia, nada, nada. Apenas a editora- VINCENT SQUARE BOOKS. Com certeza, comprei pelas fotos. E pesquisa vai, pesquisa vem, me deparei com essa receita que TAMBÉM NÃO VAI NO FORNO, e deve ter sido daí que aquele brasileiro da gororoba se inspirou, na tal da HALVA.
Vamos lá-
350 grs de açúcar
2 paus de canela
Um pouco de açafrão (pistilos)
1 colher de chá de cardamomo moído
225 ml de azeite de oliva
350 grs de SEMOLINA
75 grs de amêndoas em laminas
125 ml de mel
2 colheres de sopa de amêndoas inteiras “brancas”
1 colher de cha de canela em pó
Colocar o açafrão com o açúcar em uma panela com 600 ml de água e lentamente, levantar fervura, mexendo um poço. Adicionar a canela e o cardamomo por mais 5 minutos. Reservar para infusionar.
Em outra panela, aqueça o azeite de oliva e quando estiver quente, misture com a semolina, em fogo BEM BAIXO por uns 20 minutos, adicionar as amêndoas em lâminas. Colocar o “xarope” de açafrão e deixar ferver. Fora do fogo, adicione o mel e siga o mesmo procedimento da “gororoba”. Coloque sobre cada quadrado uma amêndoa inteira “branca” e um pouquinho de canela.
ADIVINHE QUAL EU GOSTEI MAIS????
Amanhã tem mais.