sexta-feira, 29 de julho de 2011

HOJE EU QUERO BRASILIDADES!!!!!! E SOPA PARAGUAIA!


Com isso, de escrever um blog, fui pesquisando blog por blog, lendo coisa por coisa, descobri que existe um universo de coisas ótimas e um universo de coisas péssimas...as péssimas, a gente deixa para lá, mas as boas...eu queria que todo mundo devorasse. Queria repartir as últimas descobertas desses dias, leituras boas, ótimas dicas. Mas também acho que devemos ler livros, cozinhar de verdade, sair por aí para descobrir todas essas pessoas e esses lugares. A gente escreve por um tempo, para repartir, espalhar por aí aquilo que a gente ama. Mas o melhor dos blogs de gastronomia é ainda sair do computador e ir para o fogão! Não há outra maneira. Hoje quero falar de brasilidades...pessoas que conhecem coisas do Brasil como a palma da mão, que pesquisam, que conhecem coisas que não conhecemos...uma delas é o Blog da Neide Rigo. Pelo amor! A mulher pesquisa,viu? Ler sobre nossa cultura (nossa? as vezes tenho a sensação que não conheço nada do Brasil), ler sobre a tapioca, o café, o coador de seringueiro,o tucupi,a orelha de padre, urucum. Meu Deus, que país é esse? E depois de aprender com ela, voce pula para o SLOW FOOD BRASIL, essa associação MARAVILHOSA, que surgiu de uma brincadeira com o FAST FOOD e conquistou adeptos, pessoas que pensam que o que comemos vai muito além de "encher o bucho", vai atras de produtos regionais, comunidades perdidas por aí, alimentos incríveis...com o slow food, voce quer sair por aí, comprar, comer, sentir www.slowfoodbrasil.com. Aí como lemos e lemos do regional, chegamos em MINAS GERAIS e descobrimos o delicioso blog da Rosaly Senra, o QUITANDAS DE MINAS, apaixonada por "regionalices e brasilidades" fez um livro incrível que descobri faz pouco tempo lá em Gonçalves e até já fiz um bolo de milho com ele, mas o blog mesmo eu não conhecia, li tudo em uma noite, não desgrudei, são histórias das pessoas, receitas guardadas em cadernos e, talvez, se não fosse o trabalho dela, se perderiam..ainda bem que tem gente que nem ela que faz essa pesquisa por nós,né? Aí, voce continua como uma louca pesquisando e dá de cara com a Ines Garçoni, que escreveu um livro que se chama " GUIA CARIOCA DA GASTRONOMIA DE RUA" e aí fez esse blog que começa assim- " Com o dinheiro que sobra das viagens, Anastácia vai à feira.Compra batatas, alho, verduras, peixes e frutos do mar, cozinha tudo no mesmo dia, chama os amigos para a varanda e escreve sobre o convescote." Precisa falar mais? E ela vai atrás. Lugares escondidos, comidas perdidas por aí, gente que relaxa, toma uma cerveja e cozinha, cozinha mesmo! é uma maneira de ir até o Rio, voltar, ir de novo. O blog se chama anastacianafeira.blogspot.com. Hoje é delas, dessas brasilidades, dessas comidas, desse Brasil gigantesco, que não acaba.


E a receita de hoje é dessa mistura, dessa cultura tão enorme que vamos para a fronteira do Paraguay com o Mato Grosso do Sul e descobrimos esse bolo que eu nunca tinha ouvido falar, até a amiga da minha mãe fazer e a minha mãe fazer o que a amiga fez, a Lílian. A receita se chama SOPA PARAGUAIA e não é sopa e talvez nem seja paraguaia e sim brasileira...eu pesquisei, e é uma receita que se faz no Mato Grosso principalmente na sexta feira santa e foram os INDIOS que a inventaram...quer melhor que isso? Eu adorei comer, tem mil variações, é claro! Mas essa, do blog, é a da Lílian que faz a tal da sopa paraguaia faz tanto tempo....e sabe o que nós, aqui em casa, pensamos? Que vale a pena. E que se for acompanhada de um rosbife, ou uma carne assada, fica o jantar perfeito!!!! é o Brasil e sua miscelanea! De gente, de sabor, de indio, de milho. FAÇAM. Não esperem a SEMANA SANTA- se bem que essa pode ser uma ótima dica para isso...

SOPA PARAGUAIA


1 litro de leite
5 espigas de milho "debulhadas" e batidas com o leite
5 ovos
2 xícaras de MILHARINA (OU POLENTINA)
1 colher de sopa de pó royal
1 copo de óleo
4 cebolas cortadinhas
1 colher de sopa de sal
2 xícaras de queijo meia cura ralado


Refogar a cebola no óleo, bater os ovos, juntar ao leite e aos demais ingredientes emisturar tudo com colher de pau ou com a mão...Acrescentar o fermento em pó por último.
Em assadeira UNTADA, forno 180 graus, quase uma hora.


E aí lendo da sopa paraguaia, descobri um milho que se chama SABORÓ.  Se tem alguém que conhece é a Neide, lá do Come-se, preciso perguntar para ela...eu não sei.
Outra coisa, eles assam em travessa DE BARRO, fiquem a vontade para tentar, eu acho lindo...fumegantes tigelas de barro saindo do forno com sopa paraguaia. Delicia. EU AMO MILHO.
Também dá para substituir a milharina por fubá, mas li que deve ser do tipo BIJU e não minoso,,,deve ser fubá mais "grossinho", acho! Quem souber...
Hoje é isso.
Brasilidades.
Até.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

PORTUGAL X INGLATERRA



E hoje deu QUEIJADINHA!  E ontem deu MUFFIN. SANTO DEUS!!!!! Que idéia realmente maluca a minha. Mas nas férias é ótimo porque vivo rodeada de amigas, cheia de crianças e tudo acaba rápido...porque cá entre nós, será que existe doce mais doce que o doce português? Eu adoro cada um deles, mas sempre deixei para comer fora de casa, em algum café, restaurante, porque se tem uma coisa realmente calórica nesse mundo, são os doces portugueses. E como uma amiga disse- e dá para ser ruim? Lotado de manteiga, açúcar, só pode ser bom. E é. E é calórico mesmo. Aí fiquei pensando- as praias que frequentei toda minha infancia, no litoral de Ubatuba, eram cheias de mulheres com tabuleiros. Vendendo sanduíche natural? Não. Vendendo abacaxi cortadinho? Não! Elas vendiam empadas e queijadinhas , minhas amigas! EMPADAS E QUEIJADINHAS! Será que alguém da nossa infancia se preocupava com calorias? Imaginem a gente desfilando pela praia devorando milho cozido com manteiga, empadinha, raspadinha de groselha, picolé de coco queimado e queijadinha. Gente, o que era isso? E eu comia,viu? Acho que foram as melhores empadas da minha vida. As de palmito. Na praia. Eu não gostava de camarão. Eu  também não dava muita bola para as queijadinhas, repetia as empadas. Mas lembro dos meus pais comendo muitas queijadinhas. Tinha até uma mulher famosa, já saindo dos tabuleiros da praia que vendia as tais na casa dela. Não sei se ainda existe. Eu não achei. Tinha também a praça da igreja com pipoca. Até aí, normal. Praça-pipoca. MAS a pipoca da praça era com QUADRADINHOS DE QUEIJO. Não sei se queijo frito, empanada, assado. Eu só sei que era viciada nisso. MUITO TEMPO DEPOIS, descobri na obsessão de tal pipoca, um "tiozinho" que vendia lá perto do Parque Vila Lobos. E roda de carro para cá, roda de carro para lá, com o Fábio na busca, é claro. E nada da pipoca com queijo em quadradinhos. Depois, achei uma obsessão muito gorda e desisti, resolvi fazer regime, não procurei mais o pipoqueiro. Alguém conhece? Voltando da praia...meu pai achou essa receita em um programa de televisão, TODO SABOR, com certeza, lembrou das queijadinhas, anotou, deu vontade. Fizemos. Gente, o negócio é calórico. Fica uma delícia. Comam uma só ou chutem o pau da barraca. Será que essas mulheres ainda existem com seus tabuleiros? Mas não digam que não avisei.



QUEIJADINHA
 1 quilo de açúcar
3 xícaras de água
2 colheres de sopa de manteiga


Em uma panela larga, misture os tres ingredientes e deixe cozinhar até o ponto de fio (não sou eu que falo assim, são os livros. Um dia, volto aos caramelos,gente!)., sem mexer muito, retire do fogo e deixe esfriar até o dia seguinte, fora da geladeira.


PARA A QUEIJADINHA


1 DÚZIA DE OVOS (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)
2 xícaras de chá de farinha de trigo
4 xícaras de queijo MEIA CURA ralado.


PREPARO
Bater os ovos rapidamente em uma batedeira e misture-os à calda já fria, acrescente a farinha, o queijo.
Unte forminhas com manteiga, mexendo a massa cada vez que for colocando nas forminhas, para distribuir bem a massa. Asse em forno médio-180 graus até corar.
Deixe esfriar para desenformar.
Nós resolvemos o problema fazendo em forminhas de papel, não estávamos com nenhuma paciencia de untar forminha por forminha, o papel para muffin resolveu esse problema,claro! E fizemos metade dessa receita, afinal, estou em apenas tres meses de blog diário de bolos...bater uma duzia de ovos...não ia dar!
Ficam ótimas.
Outra coisa, como o ingrediente SHOW são os ovos, por favor, ovos ORGANICOS, ovos CAIPIRAS , mas um bom ovo, é isso que vai fazer toda, mas TODA diferença no sabor de uma queijadinha ok para uma SUPER QUEIJADINHA.

MUFFIN
Ontem teve pic nic com as crianças no parque. Nada combina mais com pic nic do que muffin. Sério. Eu já falei deles aqui no blog. Muffin NÃO É cupcake. MUFFIN É MUFFIN. São massas diferentes, de texturas diferentes, que se faz de maneira muito diferente. Só relembrando, o muffin quanto mais "bonitinho" voce quer fazer, pior ele fica. O certo de um muffin é misturar rapidamente, deixar mesmo cheio de grumos...e o negócio sai. E é rápido de fazer. EXCELENTE para ensinar para as crianças. Quando fiz o MUFFIN no blog, dei uma receita básica que eu fazia no restaurante TRUC VERT e ia variando os sabores. O de hoje, é um pouquinho diferente, mas segue o mesmo princípio. Muffin nasceu para ser muffin. é um bolinho sem pretensão de ascensão social. Ele quer ser assim, faz no dia, come no dia, é fácil, simples, saboroso. Macio para comer naquele dia. Depois, muda. Ideal para fazer pouca quantidade. Eu adoro nas férias das crianças. Porque pode misturar qualquer coisa, o que tiver à mão, com algum bom senso. O de ontem, foi suco de laranja com bananas. E já tenho os meus toques para dar. Diferente da queijadinha, voces podem abusat um pouco mais. ótimo para café da manhã, combina com chá, delícia com café. Não precisa de mais. Precisa?Ah, essa receita foi do livro da NIGELLA LAWSON, mas não aquele que sempre uso e ja falei aqui, mas um que não tenho, é da minha mãe- NIGELLA BITES, AS RECEITAS PREFERIDAS DA CHEF INGLESA. Esse eu também gosto. Também acho que vale a pena.
Outras coisas que levei no pic nic? Empadinhas de queijo, rolinhos de salsicha, tudo feito aqui pela Duda, a Santa Duda...suco de abacaxi e morangos na caixinha. Querem essas receitas também? Próximo blog, próximo blog...
Até.

RECEITA DO MUFFIN DE LARANJA

75 grs de manteiga
250 grs de farinha de trigo
25 grs de amendoas moídas
1\2 colher de chá de bicarbobato de sódio
1 colher de cha de fermento em pó
75 grs de açúcar de confeiteiro
casca ralada de uma laranja
100 ml de suco de laranja
100 ml de leite integral
1 ovo
12 forminhas de muffin

Derreter a manteiga e reservar.
Misturar farinha,amendoa, bicarbonato, açúcar, casca de laranja. A parte, misturar o suco de laranja, o leite, o ovo, a manteiga derretida. Colocar os ingredientes líquidos sobre os sólidos.
A MASSA VAI FICAR ENCAROÇADA!!!!! É ASSIM MESMO!!!!!
O objetivo é apenas misturar e NÃO FAZER uma massa macia. Uma BOA MASSA de muffin é AO CONTRÁRIO do que a gente sempre aprende. Por isso, são bolinhos "loucos"...um químico deve explicar. Eu não. A gente come. Com geléia,com creme de leite batido.

terça-feira, 26 de julho de 2011

SHORTBREAD DE PIMENTA E O LIXO DE CASA!

Hoje de manhã, fui brincar com as crianças no quintal, aproveitei e levei algumas revistinhas da minha mãe, entre elas, várias CLÁUDIA COMIDA E BEBIDA...adoro ver as antigas, com receitas beeeem retrôs. Mas eu escolhi uma de maio desse ano,em que vivemos a década dos "modernets" de plantão (QUE EU TAMBÉM GOSTO MUITO, deixando claro! Só tem que ser muito bem feito, como tudo...) e dei de cara com essa receita de SHORTBREAD DE PIMENTAS!!!!!!!! O Shortbread é um biscoito amenteigado, ou um bolo com muita manteiga, como cada um queira. O fato é que ele é referencia e paixão dos escoceses, desde dos caseiros até os vendidos em posto de gasolina...eu tinha me esquecido deles, sempre achei um bolo exageradamente calórico e quando estive por lá, minha tendencia eram os uisques... (quem já provou um Lagavulin?) e como um não combina com o outro, ficava no etílico mesmo. ( só me lembrei de uma historinha- depois que a Yasmin nasceu e tirei aquele teeeempooooooo enorme sem distrações sociais que não fosse leite,dormir, fralda, leite,dormir,fralda, resolvemos sair um pouco em um pub, antes da hora do cigarro-ainda era permitido- inverno, lareira e eu não resisti, pedi a minha dose,sabe? E depois de um tempo, dei leite para a Yasmin,entendem? Leite com uisque...acho que ela não gostou da combinação! Juro que foi o PRIMEIRO PORRE da minha filha e, espero que único em muitos anos, ela ficou tontinha, cabeça de um lado para o outro, dormiu depois feito PEDRA, e eu? Fiquei com MUITO PESO NA CONSCIENCIA. Coitada. Ela tinha tres meses! Enfim...Cada mãe que aparece!) e voltando aos bolos, achei esse na revista DIFERENTE, com o toque da PIMENTA...minha mãe riu e falou- nossa, esse vai para o lixo! E eu, otimista, falei- esse ainda vai te surpreender... Pois é, NÃO SURPREENDEU! E ele, em definitivo, irá para o lixo. Sinto, desperdício, mas teste é teste, e esse NÃO DEU!
A combinação com as pimentas é, de fato, MUITO INTERESSANTE, e eu AMO usar coisas que normalmente só associamos ao universo dos salgados...alias, pimenta-chocolate...tradicional. MAS EU ACHO QUE O ERRO foi na proporção da MANTEIGA. Fico pensando- será que NÃO FOI UM ERRO da revista quando digitou a receita? Porque são TREZENTAS GRAMAS DE MANTEIGA para apenas duas xícaras e meia de farinha de trigo...as receitas que pesquisei depois tem uma PROPORÇÃO do DOBRO de farinha, que me parece mais razoável. Então, novo desafio. Quem quiser testar...

Ai vai:

2 1\2 xícaras de farinha de trigo
1\2 colher de cha de sal
1\2 colher de chá de pimenta negra moida na hora
1\2 colher de chá de pimenta branca
1\2 colher de chá de pimenta verde
1\2 colher de chá de pimenta rosa
3\4 de xícara de açúcar de CONFEITEIRO
300 GRAMAS DE MANTEIGA AMOLECIDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
2 colheres de sopa de açúcar granulado

PREPARO- Bater o açúcar de confeiteiro com a manteiga, até obter uma pasta. Acrescentar a farinha e o sal, ja misturada com metade das pimentas.
Em uma forma de 23 cm de diametro, untadas com MAIS MANTEIGA, espalhar a massa com uma espatula e ASSAR em FORNO BAIXO-150 graus por uma hora e quinze minutos. Quando sair do forno, espalhar o resto das pimentas com o açúcar.
A receita não parecia INTERESSANTE????????? Pois é...
Depois de uma hora no forno, começou a "cair" a manteiga, queimar o forno, aquele desastre...o excesso de manteiga deu enjôo até para experimentar. E eu ADORO manteiga. Mas vamos com calma,né?

Quem conseguir, ME AVISE.
Fotos, como sempre que estou sozinha, sem o Fabio, só na sexta feira...
Até.

Eu, minha mãe e a Duda ficamos rindo muito da GOROROBA DOIS...minha mãe quer escrever para a Cláudia porque não é possível...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

AMARETTO VIROU CACHAÇA COM DOSE DUPLA!

Aniversário das crianças.... Yasmin e Rafael. Qualquer coisa para dizer, é como se eu não tivesse dito. Tem coisas que realmente apenas...como um segredo guardado, como bolhas de sabão,  que  passam que passam .. mas que contém todas as cores. Acho que a infância deles deve ser assim, cheia de tudo, de mar, de montanha, de super herói (a Yasmin não usa rosa! E diz, só diz, que não gosta de princesas...eu acho, que no fundo ela gosta!), de circo, música. O que eu mais gosto de fazer, é tentar viver um pouco no mundo deles, escutar as conversas entre os dois, é a experiencia mais lúdica que eu tenho, nada se compara. Como entrar em um livro da Alice no País das Maravilhas, mas quase real.








Esse final de semana foi praia. Levo tudo, forma de bolo, batedeira,livro. Claro que várias coisas ficam para trás...e uma delas foi o Amaretto. Escolhi um bolo "sofisticado" para os adultos no sábado e outro mais cara de festa , bem, bem, chocolatudo, para o domingo. O bolo de sábado levava biscoitos "amaretti", italianos, que se servem com vinho santo, feito de amendoas, bem duros e elegantes de sabor (eu adoro!) e eu achei legal para fazer lá na praia. O livro escolhido foi o CHOCOLATE, de LINDA COLLISTER, livro que ja citei no blog, muito legal, mas eu nunca fiz muitas receitas dele, agora chegou a vez. Eu adoro bolos italianos, eles sempre são mais para "tortas" do que bolos como a gente fala. São, digamos, mais compactos, NÃO CRESCEM TANTO, duram mais, são perfeitos para sobremesas mesmo, com creme batido, sorvete, e nunca são muito doces. Chocolate é sempre amargo, pouco açúcar. Eu adorei colocar blueberries por cima com creme de leite batido. Quem comeu, se dividiu- uns preferem só ele, assim mesmo, puro, sem frutinha, sem nada, nada. Eu acho que ele combina com sorvete, que a gente não levou. De qualquer maneira, eu acho que ele VALE MUITO A PENA, mas só com um EXCELENTE CHOCOLATE, que vai aparecer bastante e não adianta SUBSTITUIR as bolachas amaretti (na verdade, eu usei "cantucci") por bolachinhas mais sem sabor, tipo bolacha maria etc etc, que esse bolo-torta não terá graça nenhuma. A única coisa que tive que mudar foi a "tendencia alcóolica" desse bolo, ele pedia o licor, eu não tinha. A Angela sugeriu...vamos de cachaça? Sim, vamos de cachaça..e ainda DOSE DUPLA porque meus DOIS comeram, adoraram e repetiram. A Yasmim adora blueberry e o Rafa adoro qualquer coisa que leve chocolate de qualquer tipo. Combinação perfeita. Quem tiver o amaretto...

O outro, foi um "sponge cake" ingles, esse bolo tão popular lá, que é base para qualquer coisa que eles façam, desde cupcakes até bolos de casamentos, pode ser sponge cake de baunilha, sponge cake de chocolate, sponge cake sei lá mais o que, mas sempre um sponge cake...eu gostei da receita, mas senti falta de mais umidade no bolo, eu acho que teria "molhado" ele assim que saísse do forno com uma bebidinha, rum, conhaque, ou até mesmo uma calda de chocolate ralinha (como do bolo de cenoura) para dar mais tchan para ele, mas também pode ser a batedeira que levei (Esta velhinha coitada! Não se compara com a minha mega power lá de casa...), o fogão de 1900 e varias bolinhas lá da praia sem controle de temperatura nenhum, etcetc...nessas condições, é um milagre que o bolo tenha saído...se voces vissem! E ficou bom, mas não excelente,sabe? Cobri e fiz o recheio com uma ganache de chocolate amargo, que dá uma eleg^ncia para esse bolo, digamos que ele fica mais "formal", mas poderia ter coberto e recheado de brigadeiro e doce de leite, bem bem ao nosso gosto por doce bem doce. Mas eu estava em um final de semana mais "sóbrio", frio e chuva na praia, vinho, sei lá, fui de ganache amargo. A Angela cobriu com morangos, cerejas. Afinal, o bolo era das crianças...ainda bem que tem minha cunhada, que lembrou dos brigadeiros, maria moles, enfim, bandeiras coloridas na praia, com pescaria, prendas e chapeu de palha. Só voce, Fe!  Até.

ITALIAN CHOCOLATE AMARETTO TORTA
110 grs de chocolate picado
2 colheres de sopa de licor, Amaretto
110 grs de manteiga em temperatura ambiente
110 grs de açúcar
3 ovos, separados
60 grs de biscoito amaretti (eu usei cantucci)
60 grs de farinha de trigo

Derreter o chocolate com o licor em um bowl com uma panela por baixo, SEM DEIXAR A ÁGUA ENCOSTAR NO BOWL DO CHOCOLATE, em FOGO BEM BAIXO, chocolate NAO PODE FERVER!!!!! Fica como leite talhado, em textura. Fica horrível a aparencia. Deixe esfriar um pouco.
Em uma batedeira, coloque a manteiga com o açúcar e bata até estar bem cremoso e vá adicionando as GEMAS UMA A UMA, depois misture à mão o chocolate, os biscoitos triturados e a farinha.
A PARTE- Bata as claras em neve com uma colher de sopa de açúcar até ficar um "merengue" bem brilhante e cremoso, misture de baixo para cima, BEM DELICADAMENTE à massa.
Forre a forma de 20 cm de diametro, redonda, com papel manteiga e depois, unte. 30 minutos. 180 graus.
Fica "charmoso" enfeitar com cacau em pó, ou açúcar de confeiteiro, ou creme, ou sorvete...ela coloca no livro framboesas, blueberries ou pessegos assados. Mais biscoitinhos esmagados por cima e um copinho de amaretto para acompanhar. No nosso caso, foi a cachaça. Bom. Muito bom.



O OUTRO BOLO- 
CLASSIC CHOCOLATE SPONGE CAKE
175 GRS DE MANTEIGA TEMPERATURA AMBIENTE
175 grs de açúcar
3 ovos, temperatura ambiente
1 colher de chá de essencia de baunilha
150 grs de farinha
30 grs de cacau em pó 
1 colher de sopa de fermento em pó
2 colheres de sopa de leite

Untar e forrar com papel manteiga DUAS formas de 20 cm de diametro. O bolo é para ficar alto. São DOIS BOLOS mesmo, que vai rechear e cobrir.
PREPARO- Bater açúcar com manteiga até ficar bem cremoso, a palavra que eu AMO e não tem traducão a altura- FLUFFY. Colocar os ovos, inteiros, um de cada vez, aos poucos. Peneirar a farinha, o fermento, o cacau. Desligar a batedeira e misturar à mão a massa do bolo com a farinha. Dividir a massa entre as duas formas, mais ou menos igual (um pouquinho de cordenação motora aqui! Se eu consigo...)
Forno 180 graus, só uns vinte minutos.

DEIXAR ESFRIAR COMPLETAMENTE para cobrir e rechear. A ganache eu já escrevi aqui no blog, basta ir no "buscar" e escrever ganache. Ou outras coberturas do gosto de cada um, da cara de cada festa...lá na Inglaterra era muito comum só um creme de leite batido com geléia de alguma frutinha vermelha. Recheava assim e não cobria com nada, só um açúcar pouquinho por cima.
Até.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

CADERNO DE MÃE, RECEITA DE AVÓ

Na hora do sono do Rafael a tarde, enquanto a Yasmin saiu com a minha mãe, eu, finalmente, respirei e li.Li,li,li.Blogs, receitas,revistas...até achar o caderno da minha mãe. Aí não li mais nada...fiquei lá, grudada com o caderno. Com capa de torta de morangos. Mas não é um caderno velho,não. Minha mãe passou tudo a limpo, coisa por coisa, apesar do charme das páginas amarelas dos cadernos antigos,( como se eles respirassem anos passados com suas receitas..).mas o caderno ESTAVA DESPENCANDO, as receitas se perderiam com certeza. Melhor um caderno novo, e de qualquer forma, é escrito à mão, receita por receita. Com comentários de onde veio a receita e se ele é ótima, boa ou excelente, afinal, para que escrever receitas ruins? Pior ainda:  REESCREVER receitas ruins? Aí seria burrice mesmo. Queria que todo mundo pudesse ver o caderno.
365 receitas de bolo? Nada, perto do tal caderno. As fontes- Carminha,  Jade,Dona Oriene,Cecília, Beth,Tia Nally, Tia Nelly,Dona Cida, Maria José de Ibitinga, Vó Nilda, Vó Fiza, Tia Marta (filha, tudo da Tia Marta é excelente! Sei, mãe, eu comi lá minha infancia toda! Eu acho que ela foi a única pessoa que conseguiu fazer criança comer bolo de pessego com coco,sabe? Eu os odiava, gostava de bolo de CHOCOLATE, nada desses bolos de ameixa, abacaxi, pessego, que TODA MULHER tinha MANIA. Eu saia de fininho com esses bolos. MENOS OS DA TIA MARTA.Esses, eu comia. TODOS.Não posso fazer um blog só de BOLOS TIA MARTA, senão, o blog seria dela e não meu...mas PROMETO que farei alguns!)...e as MEDIDAS- Essas são IMPERDÍVEIS!!!!!!! Acredita que tem um bolo  que está escrito CINCO MEIAS CASCAS DE OVOS DE ÓLEO???????????????????????????????? e as xícaras?  UMA XÍCARA NÃO TÃO CHEIA ASSIM, e as colheres? UMA COLHER BEM GENEROSA, essa colher não tão cheia assim. A xícara mais ou menos vazia, e por aí vai. Não estranho nada,nada, que cada bolo, em cada casa, saísse de um jeito completamente diferente do outro, com a mesma receita! O que eu faria sem minha fiel balança eletronica? Mas eu estou fazendo as coisas bem do jeito da pessoa, do que está escrito. Se está em colher, vou em colher. Se está na xícara, vou na xícara. Agora vou ter que enfrentar as MEIAS CASCAS DE OVOS! O que não faço pela gula de ter todas as receitas!
 E os bolos? Bolo de Nescau, Bolo Polones, Bolo de Fubá Cozido, Brevidades,Rocambole de Leite Condensado, Bolo de Natal, Bolo de Creme de Leite, Bolo de Maracujá, Bolo de Fécula de Batata, Bolo de Nozes, Bolo Gelado com Salada de Fruta (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!),Bolo Prestígio, BOLO MULATO GRÃ-FINO (o que é isso, gente????), Bolo de Café, Bolo de Cerveja (Da Glorinha) e a lista continua, um mais insuperável que o outro. Sabe que eu tenho a impressão? Que nossa mães, avós, bisavós, trocavam receitas, mas MUITO MAIS que isso, FAZIAM AS RECEITAS. Nossa geração tem livros e mais livros maravilhosos, programas de culinária divertidos, blogs interessantíssimos...MAS E O CADERNINHO DE RECEITAS? Esse, de coisas de nossas amigas, da amiga da amiga, que só a gente tem? Uma amiga minha brincou que se eu fosse fazer um caderno de receita de amigas, o meu caderno FICARIA VAZIO!!!!! Ô gente, o que acontece com a nossa geração? Sei que todo mundo trabalha, trabalha,trabalha...mas cozinhar um spaguetti com pesto caseiro, uma salada de tomates colorida com um franguinho assado, quanto tempo? O tempo do spaguetti cozinhar, do frango assar. Aliás, uma amiga minha me contou que na receita que ela resolveu fazer estava escrito assim- "amarrar as coxas do frango e cobrir com papel alumínio". Tá. Ela cobriu SÓ AS COXAS e não o frango inteiro. A empregada dela, que também não cozinha nada (!) chamou e disse- Ô, dona, seu frango tá ficando muito é duro! Tem certeza que não é para cobrir o frango todo,não? Tenho, Vaudinéia, tenho certeza, é assim mesmo a receita,você não entende nada!
Quando o frango ficou pronto, esturricado, só com a coxa suculenta, minha amiga foi comer no quarto, com vergonha da empregada. Deixou as coxas para a empregada, para ela pensar que o frango estava bom. Comeu chorando. Não sirvo nem para um frango assado! Calma, foi só um erro de interpretação de texto! Quem quiser fazer aulas comigo, é só falar. Ajudo com o frango, com a empregada, com o papel aluminio.
Vamos voltar para os bolos. Tomara que com o blog, eu consiga arquivar tanta coisa legal, e espero que tanta gente possa fazer, experimentar, escrever em um CADERNO DE RECEITAS tanta coisa legal, antiga, nova, das amigas, da amiga da amiga. Até.
OS ESCOLHIDOS DESSAS TARDES

BRIGADEIRÃO

Untar uma forma com buraco no meio com MANTEIGA E AÇÚCAR. Deixar na geladeira, para "dar brilho" no brigadeirão.
No liquidificador, bater- Duas latas de leite condensado
1 lata de creme de leite, sem o soro.
6 gemas. (dá dó usar só as gemas,né? Eu adoro! Porque quando sobra as claras, eu faço MERENGUES! Um dia, coloco as receita para voces. Tem alguns truquinhos)
2 colheres de sopa de maizena
2 colheres de sopa de manteiga
4 colheres de sopa de chocolate em pó
Cozinhar EM BANHO MARIA  (No forno!) por 1h e 20 min. 180 graus.
Sabe como minha mãe enfeita? Com cerejinhas e chantilly. Fiquem a vontade para fazer o mesmo. Um charme! Esse bolo-sobremesa, é COMPLETAMENTE RETRÔ!

E o outro que não poderia faltar- BOLO DE CENOURA COM CALDA DE CHOCOLATE

3 cenouras GRANDES cozidas (estava escrito assim, não me culpem pelas cenouras!)
1 xícara de óleo
4 ovos
Bater tudo no liquidificador.
Acrescentar- 2 xícaras de açúcar
2 xícaras de farinha
1 colher de sopa de fermento em pó royal.
Assar em forma retangular (tabuleiro), cortar em quadrados. Eu acho ideal para pic nic, ou com as crianças vendo filme na televisão.

CALDA- 1 xícara de leite
1\2 xícara de Nescau
1\2 xícara de açúcar- se usar o de confeiteiro, a calda fica mais grossinha, mas pode usar qualquer açúcar.
1 colher bem cheia de manteiga.
Colocar no fogo até engrossar. Vai com fé, que uma hora engrossa. (nem demora muito. Talvez uns dez minutinhos). Cobrir o bolo. Lamber a colher.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

CASO DE AMOR EM LONDRES



Esses dias, chegando lá da roça, e para dar um tempo de fubá, voltei para Londres. Claro, através dos meus livros...mas é como estar lá, cada vez que faço um bolinho que costumava comer por lá. O escolhido da vez é um dos MELHORES livros que tem quando o assunto é CUPCAKE - o livro se chama THE HUMMINGBIRD BAKERY, um dos lugares charmosos, pequenos, aconchegantes que acho que falta em São Paulo. Lugares sem pretensão, mas com charme, com alma, com cara do dono, que cuida de tudo, desde das flores até as forminhas, lugar que voce entra e ja se sente bem, e quer devorar tudo, todas as cores...e como não cabe na barriga, voce volta várias vezes. No meu caso, VÁRIAS VEZES mesmo, porque quase todo final de semana saindo do restaurante que trabalhei, o TRUC VERT, eu ia passear em Notting Hill, meu bairro preferido, onde descobri meus CAFÉS- o HUMMINGBIRD e o OTTOLENGUI, que também já falei aqui, além da minha PREFERIDA LIVRARIA, que se pudesse fechar os olhos e estar em algum lugar, estaria lá todo dia um pouco, só para ver as novidades em gastronomia e tomar café na mesinha do fundo. EU QUERO UM LUGAR ASSIM AQUI!!!!!!!!!! e esse era meu roteiro de final de semana, além da feira de antiguidades na rua. Não comprava antiguidades, não. Mas é o clima da rua, as pessoas, os cheiros. Então, o escolhido de hoje, CONHEÇO bem, já experimentei quase tudo que eles fazem, apesar de que devem estar CHEIO de NOVIDADES e já fui embora de Londres há quatro anos e nunca mais voltei. Por isso, fazer, assar, comer esses INCRÍVEIS bolos, para mim, é como viajar, relembrar tardes chuvosas, de capuccinos enormes, deliciosos, voltando exausta do trabalho, sentando no balcão, comendo um cupcake, e depois, indo ver um filme de final da tarde no ELETRIC, o cinema mais POP e COOL que já fui.



As vezes, meu inglês nem dava para o filme, mas eu estava no ELETRIC e só de ver o cinema em si, e não o filme, já era demais. A fachada é antiga, azul. As poltronas são de couro, vermelha. Tem um barzinho dentro, que serve CHAMPAGNE E VINHO, que eu ão tomava, senão não conseguiria voltar para casa. Só fazia isso em dias de Fábio, dias que ele estava comigo. Voltávamos de metro, nada de carro. Em um frio de doer os ossos. Mas era legal. Muito legal. Mais uma vez, faço minha declaração de amor por essa cidade multi. Multi cultural, multi colorida, multi gastronomia. Quem diz o contrario, não esteve em Londres nos dez últimos anos, não acompanhou a deliciosa onde de GASTROPUBS, dos quais fui frequentadora assídua...outro assunto, Adriana, outro assunto.
Os escolhidos de ontem e de hoje foram um CUPCAKE DE "CHEESECAKE" DE MORANGO e aproveitando o CREAM CHEESE, o BLACK BOTTOM CUPCAKES, sem tradução.
POR FAVOR, POR FAVOR, FAÇAM!!!!!!!!!!!! São bolinhos de PROCESSADOR, pelo amor de Deus! Quinze minutos, trabalho feito. Sem untar e desenformar, afinal usamos papel de cupcake. Deu preguiça para a cobertura? Morda, coma, assim mesmo, sem cobertura. Complementa, mas não é necessária. Mas já aviso, que complementa, complementa.
Escolha um dia de chuva. Sábado ou domingo. Escolha um excelente livro de gastronomia. Devore.
Depois não diga que não avisei. Receitas escrevo a noite.
Até.

CUPCAKE DE "CHEESE CAKE" DE MORANGOS

120 grs de farinha
140 grs de açúcar
1 1\2 colher de chá de fermento
1 pitada de sal
1 ovo
40 grs de manteiga em TEMPERATURA AMBIENTE
120 ml de leite
1\2 colher de chá de essencia de baunilha
12 morangos cortadinhos
100-200 grs de bolacha maria

170 graus- 20 minutos

Misturar a farinha com a manteiga no PROCESSADOR, até ficar uma "farofinha".
Juntar o leite, a baunilha, o ovo e acrescentar à massa.
Colocar os morangos no fundo das forminhas e cobrir com a massa, até 2\3 da forminha. Nunca até o final, senão ela "vaza" para fora...cai no forno, enfim, aquele "pastítio".

COBERTURA DE CREAM CHEESE

300 grs de açúcar de confeiteiro peneirado.
50 grs de manteiga em temperatura ambiente.
Bater SÓ para misturar.
ACRESCENTAR-  um pote de cream cheese (140 grs mais ou menos) GELADO e bater por PELO MENOS cinco minutos, até ficar BEM FOFO E CREMOSO.
Cobrir os bolinhos com uma colher e triturar as bolachas "maria" só para dar um charme por cima e "brincar" com a história do cheese cake. Enfeite com mais morangos. Fica lindo!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

JOÃO DEITADO NA PEDRA DO BAÚ


Não sei explicar como foi esse dia lá em cima, na Pedra do Bau.Quem subiu com a gente foi a Regina Célia, do Bolão Caipira...para apresentar a "outra" DONA DO FUBÁ, a Maria do Carmo. Ela nunca tinha me visto, mas já estava lá com a fornalha acesa, o cafezinho pronto para nos receber como velhos amigos na casa dela. Chegamos com o sol se pondo, em tons de cor de rosa, laranja, azul turquesa, um vento frio mais gostoso, com a Pedra do Baú ali, quase tocando com as mãos, imponente, enorme, única. As crianças correndo por ali, pulando , com gorro e luva. O jardim cheio de flores. E eu, a Regina e a Carminha (nesse momento, já Carminha!) para a cozinha para fazer mais JOÃO DEITADO...Acho esse nome muito engraçado, queria saber porque João, e não Pedro, Paulo, Miguel...isso eu não consegui descobrir. Agora porque o Jõao está deitado, é bem óbvio. é o tal bolo de fubá enrolado na folha de BANANEIRA, como um "rocambole". Ela me contou que também pode ser PAU A PIQUE, e aí cada um chama como bem entender. Eu gosto de JOÃO DEITADO. Ela ja tinha feito já de manhã bem cedinho, uma PANELADA para subir para a Pedra do Baú. O marido dela tem um quiosque ali, junto a Pedra, vendendo um pouco de tudo para os aventureiros da Pedra...que, espero, já tenham todos descoberto o João! Eu já tinha comido de alguns lugares, de algumas "padocas" da região, ou em algum café de alguma vilinha por aí, pelas Minas, mas nunca um João tão caprichado, macio, perfumado e fofinho. Claro que tem uns TRUQUES, que ela não esconde de jeito nenhum, mas já é a mão dela, o ponto, o olhar, o saber fazer. Perguntei como faz se alguem quer encomendar, fora o quiosque lá de cima da Pedra. Dá para ligar para ela no celular. Mas pega? As vezes...ou seja, arrisquem, porque VALE A PENA esse tal de João.
Acendendo a fornalha, a lenha
 




 O JOÃO DEITADO e a Carminha
E eu tentando enrolar o João...


O João pronto para ser comido




Vou escrever a receita e os truques, mas acho mesmo que nada se compara a subir lá, comprar o João, sentar por ali, ver essa lua, com essa vista (Feita do Quintal dela!). O telefone dela é 12-97017187. Torçam para atender. Ela vai do jeito que vou escrever ou recheia de goiabada, ou queijo.
AÍ VAI-
1 quilo de fubá
1 litro de leite QUENTE
6 xícaras de açúcar
1 colher de sopa de erva doce
1 colher de sopa de canela
6 colheres de margarina "derretida" no leite (lembram que eu falei da margarina em vez da manteiga?)
1 xícara de óleo também misturada no leite.
1 litro e 200 ml de leite FRIO (essa quantidade de leite varia um pouco conforme o fubá seja grosso ou fino, etc etc, essa é uma medida aproximada com fubá grosso, em um dia de frio...por isso que falei que muita coisa também depende da DONA DO FUBÁ...)
1 xícara de farinha de trigo.
2 colheres de sopa de fermento
1 colher de café de sal
1 colher de café de bicarbonato
Eu achei que já estava bom de ingrediente, quando ela volta do QUINTAL com um INHAME e rala ali, na hora...
Isso foi uma das coisas que mais achei legal desse saber "popular" em fazer bolos, usar ingredientes locais, mais com um uso inusitado da moranga, do inhame, da mandioca.
E de quebra, uma receitinha de SUPER SUCO- de LIMÃO CAIPIRA com um INHAME. Bater, tomar.
Queria mandar para ela o livro INHAME INHAME. Acho que a Sonia Hirsh pesquisou por lá o que elas já sabem desde pequenininhas. Mas de qualquer forma, para mim foi uma descoberta o uso desses ingredientes, dessa forma.
Vai misturando tudo, no BRAÇO mesmo, e só no final, coloca o inhame e o leite frio até dar o ponto. A MASSA é QUASE LIQUIDA, não fica com textura de bolo..dá para ver na foto eu tentando enrolar o João, porque dá medo que ele ESCAPE pelas laterias...ai, esses homens! Mas ELE NÃO ESCAPA! Surpreendentemente, ele fica lá paradinho, na FOLHA DE BANANEIRA, que a gente enrola, umas tres voltas e coloca na assadeira. Dá para fazer no forno normal, não precisa de fornalha. Ela é só mais um dos charmes desse bolinho TÃO, mais TÃO especial que adorei aprender a fazer.
Essa quantidade faz uns vinte e cinco do João. E acabem, garanto que acabam.
Eu tinha encomendado com ela um panelão inteiro, para a família toda...MAS por causa do ACIDENTE, as coisas não saíram como planejei. mas quer saber? Agora subo com todos eles, para comer muito João Deitado lá em cima.
As crianças comeram TRES JOÃO cada um!!!!!!!!!!!! E assim fomos nos despedindo desse dia, desse lugar, dessas mulheres tão especiais, que sem me conhecer, abriram suas casas, seus truques, seus bolos. Por nada. Por gentileza. São dessas pausas que escrevi, desse fazer manso, tranquilo, fazer bem, fazer por generosidade. Quantas coisas por ai, pelo Brasil, cada canto, cada casa, cada família. Esses bolos deveriam ser DENOMINAÇÃO DE ORIGEM, deveriam fazer parte do SLOW FOOD...adorei participar um pouco disso.
Descemos a serra com a lua gigantesca, o cheiro de madeira no ar, da lenha, do João.

OLIVIER ANQUIER, AS DONAS DO FUBÁ E EU

 A primeira vez que vi as duas, foi no programa do OLIVIER ANQUIER, no GNT. Ele comia com uma cara de MON DIEU! O que é isso? Com sotaque francês, é claro! E eu reconheci a natureza em volta, essa natureza forte, marcante. Mas não sabia onde elas estavam. E passou. Esqueci. Muito tempo depois, por causa do blog, conversando com as pessoas aqui em Gonçalves sobre bolos e pessoas, me falaram de duas mulheres, “lá pro lado se São Bento” que fazem bolos incríveis. Mas como acho as duas? Pergunte pelo Seu Benê. Tá.

São Bento do Sapucaí. Vizinho de Gonçalves, mas ainda  São Paulo. Meu pai, com 24 anos, começou aí a carreira dele de juiz de direito. Diz ele que para falar com a minha mãe, ia de charrete até CAMPOS DE JORDÃO, uma vez por semana, senão, sem comunicação. Pessoas viviam sem celulares, quem se lembra? Nem sei se eram histórias que criança acredita, mas nunca mais perguntei se foi ou não assim, então, para mim, ficou assim :imaginando meu pai andando de charrete para falar com a minha mãe ao telefone, e voltando a tardezinha, no meio do pasto, com vacas, ovelhas...a carreira de juiz no interior era assim, galinhas de presente “pro seu juiz!”. O que teria sido para meu pai se em vez de galinhas, tivessem sido mulas, burricos, boi brabo? Quem conhece meu pai, entende! Não dá para imaginar!!!!!!!





Muito tempo depois, compramos nossa roça em PIQUIRAS, bem perto de São Bento. Tenho um caso de amor com a PEDRA DO BAÚ, acho uma das paisagens mais lindas , de qualquer lado que se olhe. Revi o programa do Olivier, lá estava a “minha” Pedra, a minha vista. Realmente, preciso me encontrar com elas. O Seu Benê, que me falaram, é o proprietário do restaurante SABOR DA SERRA, e provavelmente, uma das pessoas que mais entende da região e seus costumes, suas festas. Basta conversar com ele cinco minutos. Sabe qual bolo vou fazer com você no blog? Qual? O de BATATA DOCE VELADA. Velada? É...mas isso é outro causo, para outro dia, para outro bolo. E foi ele quem me apresentou para a cunhada, a REGINA CÉLIA, que entende de doces como ninguém...e foi ela que fez comigo o BOLÃO DE FUBÁ, CAIPIRA MESMO! Ela chama o bolo assim, pelo jeito rústico de fazer, de misturar. É na PANELA MESMO, em cima do FOGÃO A LENHA, com a BRASA POR CIMA do bolo. Adorei fazer, assar, comer esse BOLÃO CAIPIRA MESMO!...mas acho que só ela mesma para saber quanto tempo, afinal, depende da temperatura do fogão a lenha , tem que deixar o bolo na parte não tão quente, senão, ele “queima” antes da hora e o bolo fica cru. Tem que colocar a brasa por cima, esperar o tempo do fogo. Ela diz trinta, quarenta minutos, mas realmente vai depender do fogo. Desenformar esse bolo, é lindo! Cresce assim, dentro da panela, fica com uma casquinha crocante por fora, meio marron da brasa, mas não queimado, super amarelinho por dentro, fofo, com gosto de madeira, de brasa, de frio. Na Toscana, o de uvas. Aqui, o de fubá. Excelente. Caprichado. Dá para comer no Sabor da Serra, dá para encomendar com ela, dá para não perder o bolão caipira. Mas esse, para fazer, TEM QUE TER FOGÃO A LENHA! Senão, é outro bolo. Esse nasceu para a brasa.

BOLÃO DE FUBÁ, CAIPIRA MESMO.
4 ovos
3 xícaras de fubá
1 xícara de farinha de trigo
2 xícaras de açúcar
1\2 colher de chá de erva doce
1 xícara de óleo
1 xícara de leite
1 colher  de sopa de fermento em pó Royal

MODO DE FAZER- Misturar o fubá, a farinha de trigo, o açúcar. Em outra travessa, misturar os ovos, com o óleo, o leite e a erva doce.
Misturar tudo, e por ultimo, acrescentar o fermento em pó.

DICA- Antes de colocar a PANELA NO FOGÃO, untar com 2 colheres de sopa de óleo para ajudar a desenformar o bolo depois.
E a outra mulher? Você descobriu? Sim, descobri com a Regina Célia, que me levou na casa da Maria do Carmo, mas isso já é outro dia...

domingo, 17 de julho de 2011

MINHA VIDA NA ROÇA

Hoje o ORGÂNICOS DA MANTIQUEIRA se superou! Fizeram um fogão a lenha ao lado da feira de orgânicos, com café, suco de mexiricas colhidas quase que na hora, bolo de cenoura, queijo fresco e, MEU DEUS! As BROAS!!!!!!!!!!! Eu já tinha feito broas de milho aqui no blog, ótimas, mas, do fundo do coração, nada, nada que se compare a essa. Claro, tem haver com o fubá, esse deve ser GROSSO, e não do fubá mimoso, fininho, que eles preferem usar para fazer bolinhos salgados fritos, os tais BOLINHOS CAIPIRAS (ótimos, aliás!), mas volto as broas! Além do fubá, tem o forno a lenha, tem o céu azul de inverno, tem o cheiro do café fresco ao lado, ou seja, difícil fazer igual...e tem também as mãos da DONA DELFINA, que completa 90 anos dia 10 de agosto ...e foi passando a broa de filha para filha, afinal tem DEZESSEIS  para continuar a tradição forno e fogão. Hoje, lá na feira, estavam a Maria da Penha e a Tereza Aparecida, (de Castro, por favor!).



 E assim foram sendo consumidas uma, duas, três broas, quatro, cinco, seis broas...e ninguém parava mais. Ainda dá tempo de subir a serra (COM CUIDADO, POR FAVOR!) e aproveitar Gonçalves, aproveitar as festas, que de juninas, passaram a JULINAS, de tão boas que são, aproveitar  as caminhadas, o frio, e comer essas coisas maravilhosas de quem sabe fazer, um fazer antigo, de quem sabe plantar, sabe colher. Sabe transformar milho em fubá, fubá em bolo, em broa, em dedo de prosa.
 E por falar em dedo de prosa, também tive a honra de conhecer  DONA SEBASTIANA DE ALMEIDA, que não sabe se faz 89 ou 90 anos, afinal, tem DOIS REGISTROS, mais comedida na quantidade de filhos, “apenas” OITO!  (e eu com esgotamento nervoso com apenas dois...) – ela e a família dela tem um açougue em Paraisópolis, bem pertinho daqui, e ela faz um TORRESMO FAMOSO, que atravessa a região, que conquista gente, paladares...ela me disse que até já cansou de tanta foto que fez...só não cansa de fazer os torresmos, os biscoitos, os bolos. Ela já estava lá, trocando receitas com as meninas da broa, e eu só lá de lado, escutando. Polvilho para cá, milho para lá, eu uso batata doce. Ah é? A gente costuma fazer com inhame. Ah, tem também aquele salgadinho, com um pouco de erva doce e queijo. É, e se a gente assar um pouco agora? GENTE, EU NÃO ESTOU BRINCANDO! Minha  manhã foi assim. DELICIOSA. Eu ainda não comi os torresminhos da DONA SEBASTIANA, mas comerei, porque segunda feira, a primeira cliente lá do açougue serei eu. E, quem sabe, de quebra, ainda faço um quitute com ela? Ah, e tinha oficina de PIPA também para a criançada. Eles, entre um picolé de amora e uma broa, uma pipa. Depois, suco, pipa. Depois, amendoim, pipa. Aí eu consegui meu dedo de prosa.

Saindo de lá, outra surpresa, também deliciosa. O RESTAURANTE PEDRA DO JAIR. Fica na VILA DO JUNCAL, mais afastado, em um lugar ALUCINANTE DE MARAVILHOSO, com um caminho incrível até o topo da pedra. Com outra mulher fantástica que assumiu o fogão  por lá. Faz quanto tempo? Só seis meses. Mas a senhora está aqui faz quanto tempo? QUARENTA ANOS, mas sabe por que não tinha o restaurante? Porque não tinha luz elétrica...ah, entendi. Ela viveu quarenta anos sem luz elétrica!  E a senhora gosta daqui? Não troco por nada nesse mundo. E, juro, dá para entender porque!


 Sem planejar nada, hoje foi a festa julina do Juncal, lá no restaurante dela, ficamos, é claro! Tinha de tudo um pouco, o tal do bolinho caipira (Esse eu volto para fazer com ela. Já combinamos!), canjica e arroz doce, a QUIRERA, claro! Pipoca, cachorro quente, bolo de fubá,pernil assado com um “pururuca” que eu nunca vi, batata doce assada no fogão a lenha, pinhão. Que “cata” no quintal, o quintal, é a pedra, a montanha, essa vista, esse infinito. E o pinhão, assa sabe como? NA FOGUEIRA ACESA!!!!!!!!! Pega bastante roseta (roseta?), sim, as garrinhas da pinha, essa que faz crec crec no fogo, junta com o pinhão, taca fogo e quando ele apagar, está na hora de comer o pinhão. Me pergunto- como, como NÃO VIR para cá? Esse lugar é mágico. E a lua ali, acompanhando o início da festa, uma gente simples, que gosta do simples, que está feliz com o que tem, que vive o momento, porque tem que prestar atenção no frio, na chuva, no sol, outono, inverno, verão, primavera. A gente sempre deveria acompanhar a natureza, não deveria? Aqui é época de morangos, de brócolis, de ervilhas frescas, de mexirica no pé. Saí de lá feliz, com canjica e pinhão.

Aí vai a receita TÃO especial de BROA DE MILHO DA DONA DELFINA, guardem, porque ISSO É RARIDADE!

1 quilo de fubá GROSSO
1\2 quilo de margarina ( reparei que elas preferem sempre o uso da margarina, por incrível que pareça, a manteiga não se produz aqui como imaginei, e fica mais caro, muito mais caro, do que a margarina. Então, Dona Delfina faz com margarina. Não sei o resultado usando manteiga, eu que NUNCA fiz nada com margarina!)
4 ovos
1\2 quilo de açúcar
600 grs de ABÓBORA COZIDA (o tipo que ela usou, é a moranga. Retira a polpa, cozinha, bate para virar um purê e utiliza 600 grs desse purê)
1 colher de café de bicarbonato- IMPORTANTE para a textura, Não dá para substituir.
1 colher bem cheia de fermento em pó Royal.
Misturar tudo à mão mesmo, com colher de pau e braço forte. Embrulhar na PALHA DE MILHO, colocar em uma assadeira, um do lado do outro. E assar. Quem tiver fornalha,....senão, no forno mesmo.

Quem não puder vir, por favor, tente fazer, passe um café e coma na varanda.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O ACIDENTE COM O CAMINHÃO E A LUA PARA ELES

Hoje não tenho bolos, nenhum bolo. Quarta feira, minha irmã, a Luciana e o namorado dela, sofreram um ACIDENTE com o carro, subindo a serra para encontrar com a gente. Um CAMINHAO ENORME virou em cima deles. Se estou escrevendo, é porque agora está tudo bem, mas escrevo como desabafo de um momento que agora, já passou. Escrevo para falar da IRRESPONSABILIDADE que se tornou para chegar aqui, essa serra para Campos de Jordão e, consequentemente, para cá, Gonçalves. Caminhoneiros e carros, todos. Sem respeito pelas faixas, ultrapassando nas curvas, voando com o carro, como se estivessemos todos sempre atrasados e nem sabemos para que. Não deixei meu pai e minha mãe irem até o local do acidente, deixei as crianças para eles. O que vi no local do acidente, fez meu coração parar de bater, acredito. O carro deles, deu PERDA TOTAL, e por questão de nem segundos, o que caiu em cima deles foi a CARGA DO CAMINHÃO e não o bicho propriamente dito. Eles já não estavam lá. Tinham ido para o hospital. Encontrei com eles algumas horas depois, chorando, cansados, com marcas e cortes, mas aqui, do nosso lado. Nesse tempo que fiquei resolvendo coisas, policia, seguro, policia de novo etc etc, conheci o caminhoneiro. A vontade era pular no pescoço dele, até que vi chegar o filho, a esposa, todos chorando e abraçando o pai, o marido. É forte ver o outra pessoa, entrar em contato com a realidade dela, nem que seja por alguns minutos. Ele também estava assustado, também estava machucado, é um senhor já. Acrredito que dormiu na estrada, fazendo esse trajeto três, quatro vezes por dia, todos os dias, e em cada curva, um risco para ele e para os outros. Deixei a família lá, se abraçando e agradecendo pela vida do pai. Fui embora. Fui também ficar ao lado da minha irmã. Quero que isso passe. A imagem fica gravada, é claro. Mas de alguma maneira, tem que passar. Tem a solidariedade das pessoas que param na estrada, da polícia que chega para socorrer, de tantas e tantas pessoas envolvidas. O acidente foi as oito horas da noite na quarta feira. O caminhão continuava virado as CINCO HORAS DA TARDE da QUINTA FEIRA!!!!!!!!!!!! Para voces imaginarem o tamanho da coisa toda.
Com a Yasmin e o Rafael, aprendi (ou melhor, estou aprendendo ainda) a dar grandes pausas, a prestar atenção em detalhes, tão detalhes, que sem eles, eu jamais teria percebido. Como o caminho que faz uma joaninha, a teia da aranha pendurada na janela de casa, a dobrinha do moleton que enrola e, como ela diz, dá uma "embolotada", as cores das coisas e a maneira como se expressam, com ainda tão poucas palavras, mas com imagens tão fortes de tudo que está no universo deles. Desejo agora essa pausa, esse detalhe, essa cor. O próximo bolo que fizer para eles será de CELEBRAÇÃO, celebração das pequenas coisas, do café da manhã que tomamos juntos, da blusa nova que comprei, da vista que se ve daqui e que não precisa de pressa para chegar. Ela estará sempre aqui, verde, cor de rosa, azul. Vou comprar um fogãozinho, com certeza. De preferencia, antigo, branco, de flores vermelhas, que só acende com lenha. E vou assar meu bolo.
Por hoje é só. Vou fazer fogueira com o Fábio e as crianças, o por do sol está acontecendo agora. Será a lua mais cheia do mundo. Prateada...para a Lu e o Ramiro.

terça-feira, 12 de julho de 2011

PÉ DE MOLEQUE DE PIRANGUINHO E AS AZEITONAS DE MARIA DA FÉ

Acordei com desejo de plantar OLIVEIRAS. Desejo básico,não? Mas aqui dá. Então pegamos o rumo de MARIA DA FÉ, conhecida por seu trabalho IMPERDÍVEL com oliveiras, azeitonas e azeites.

Só que no caminho, em vez de pedra, tem PÉ DE MOLEQUE, esse mesmo, o mais famoso pé de moleque da paróquia. O pé de moleque de PIRANGUINHO! Gente, a cidade RESPIRA PÉ DE MOLEQUE! Não sei como fazer para decidir o melhor, afinal, não dá para se entupir desse doce feito de amendoim e rapadura, e em versões mais “competitivas”, com leite condensado, chocolate, e até meteram o PÉ DE MOÇA, mais puxa puxa que o outro mais masculino... Voltando a Piranguinho, a cidade se divide assim em CORES- tem a barraca branca, a barraca prata, a azul, a laranja, a verde, a marron, deve ter mais várias que estou esquecendo, e aí tem a BARRACA VERMELHA. Paramos nela por  ser a mais famosa, o povo lá já entende do assunto desde 1936, e os docinhos tão famosos vêm embrulhados como sabonetes, amarrados com uma fita e escrito assim- “BARRACA VERMELHA- Somente nesta BARRACA VERMELHA são encontrados os AFAMADOS E TRADICIONAIS PÉS DE MOLEQUE, conhecidos em TODO O BRASIL, que eram vendidos na Antiga Estação Ferroviária de Piranguinho. A fama do nosso produto se deve também aos cuidados na escolha da matéria prima utilizada na fabricação.” E termina com uma frase bem atual- FAÇA SEUS PEDIDOS VIA INTERNET...precisamos ser malucos por pé de moleque para encomendar via internet.

Eu vou. www.barracavermelha.com.br. Mas já aviso, comprei também da barraca BRANCA E DA LARANJA (essa com o PÉ DE MOÇA) e todas são mais simpáticas que a menina da barraca vermelha...mas como não estou interessada na simpatia dela, e sim nos pés de moleque, vou fazer uma festa junina aqui em casa e teremos os srs jurados para conferir as barracas coloridas, degustação as cegas de pé- de –moleque. Eu não poderia sozinha... só confesso que já comemos uma quadrado inteiro da barraca branca, com esse gosto de RAPADURA CASEIRA (AMO!!!!!!) e amendoim quebrado em pedaços grandes...SÉRIO CONCORRENTE da Barraca Vermelha. Não são tão duros quanto os pés de moleque que comemos em Sampa, são mais como a textura de uma paçoca, e podemos escolher nas “versões” amendoim moído e amendoim em pedações. Aguardem!

Receitas eu não peguei. Acho que o legal é isso. O pé de moleque é de Piranguinho? Que seja. Tem coisa que deve permanecer assim, tem a graça da busca, da descoberta...esses eu nem quero saber, quero só comprar!

E aí, depois desse melado encontro no caminho, chegamos a Maria da Fé. Fiquei surpresa com o trabalho que se faz por lá. O melhor endereço para quem quiser conferir de perto é a “EPAMIG”, do Governo de Minas Gerais, e não sou política nem nada, apenas gosto ou não de uma coisa. E essa vale a pena...eles também plantam árvores de pêssego, cerejeira, amoras ...tudo lindo! Tudo pronto para eu querer colocar dentro dos bolos já! Aliás, daqui a pouco estou saindo para tentar encontrar meu forno! Já passou da hora...Voltei de lá carregada de azeitonas? Não! Voltei com as próprias OLIVEIRAS...compramos doze, só para ver qual vai melhor...são QUATRO ANOS de espera daqui para frente, assim é a natureza...imagine que máximo eu poder usar a nossa azeitona do TORORÓ (assim vai chamar nossa futura roça!) e nosso próprio azeite para a cozinha! Mas pode ser que nunca de em nada! Não faz mal, oliveiras são lindas...e sabem da última? Quando vamos à  ZONA CEREALISTA de São Paulo, Rua Santa Rosa, que também já falei aqui, o novo “hit” do momento são folhas de oliveira para EMAGRECER,...não sei se isso tem alguma pesquisa por trás...mas vendem sacos e sacos disso! Vou, pelo menos, fazer BOLOS E CHÁ. BOLOS E CHÁ...em uma tentativa maluca de comprovar os benefícios das folhas de oliveira, é claro! Os bolos são apenas um sacrifício em nome da ciência!

O Fábio saiu com as crianças, ver bezerro que nasceu ontem..., então não sei os nomes das oliveiras que compramos, mas sei que tem uma que é daqui, se chama MARIA DA FÉ, e estou adorando imaginar  a OLIVEIRA tão libanesa, na minha roça tão brasileira com nome de MARIA DA FÉ! Quem sabe, em quatro anos, vocês tem notícia das MINHA AZEITONAS E DO MEU AZEITE!

Por hoje é só...estou postando tudo atrasada...quando acho “sinal” por aqui, vou mandando. Não deixei NENHUM DIA SEM BOLO!
Até!

A GALINHA VÉIA VERSUS A CABRA VÉIA

Eu sei que o blog é de bolos...mas não dá para passar batido disso aqui,ó- “SE A CABRA É VELHA, A CHANFANA É BOA!”   Chanfana é um prato típico português que está concorrendo agora como finalista das “SETE MARAVILHAS DA GASTRONOMIA PORTUGUESA”  e o prato é feito com cabra veia...alguma semelhança com o que escrevi algum tempo atrás sobre a GALINHA VÉIA E A QUIRERADA??????

Pois é...sabedoria popular não tem erro. Eu, se fosse os supermercados, começaria a ter uma seção dos “veio”- cabra, galinha e porco, tudo velhinho, velhinho. Vai virar a seção gourmet mais badalada das prateleiras! Essa  matéria da cabra velha eu achei no PALADAR, caderno de gastronomia que mais gosto, do ESTADO DE SÃO PAULO. Esse artigo é do Dias Lopes e dá vontade de ir para Portugal quando acabar minhas férias por aqui, é claro- porque eu ADORO GONÇALVES! Ele cita entre os finalistas pratos como a AÇORDA ALENTEJANA, ALHEIRA DE MIRANDELA, AMEIJOAS À BULHÃO PATO, O BACALHAU À GOMES DE SÁ, e claro, O PASTEL DE BELÉM. Esse ultimo, tem que entrar aqui no blog. Qual será o melhor PASTEL DE BELÉM EM SAMPA? Quem tiver sugestões, pode me falar! E só para concluir  da QUIRERADA, eu comi ontem lá na festa junina do RANCHO BIJU, a própria, a autêntica, feita pelo REI da quirera, e agora me parece, é também o rei do PORCO NO ROLETE E DA FAVADA! Vegetarianos, afastai-vos deste homem, mas SANTO DEUS, o cara cozinha,viu? Acho, sinceramente, que lá na FEIRA DE ORGÂNICOS, que já falei aqui também, todos os sábados,  (é o máximo!) deveriam fazer as quireradas com galinha veia  do TIANA...aliás, ele tem uma versão para os vegetarianos também. Aí, quem sabe, começo assar bolos e afins por lá...e só ter um forno!


Voltando aos bolos...melhor passar para o próximo ...

A GOROROBA E O PARAGLIDER

Ontem  nós estávamos chegando com as crianças por aqui e vimos dois paragliders voando, um azul, o outro vermelho. Estavam lindos no céu, o Rafael ficou gritando, todo animado - balão, mamãe, balão...aí vimos uma plaquinha, PICO DA RAPOSA, VÔO LIVRE. Vamos? As crianças vão gostar de ver os paragliders...subimos, subimos, vista deslumbrante e dois caras prontos para pular no abismo. Um de laranja, o outro de amarelo. Já estavam com capacete, mochila, com cara de concentração. E um deles, o do amarelo, foi! Foi para o seu vô naquele céu azul que só a montanha em julho pode ter.

A Yasmin para mim- “Mamãe, que horas ele voa? E eu- Fabio, que horas ele sobe? E o Fábio- Ele não sobe. Ele caiu! O que?????????????????????? O cara CAIU?????????????????? Saímos correndo para a beira da “floresta” e o paraglider, o capacete, a mochila, estavam todos bem, só que láaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa embaixo! Sério que não acreditei! Foi no momento que chegamos. Imperdível mesmo foi a cara da Yasmin e do Rafael- sabe de desenho animado em que a boca abre e não fecha? NO MESMO DIA, chegamos em casa bem tarde e eu ainda não tinha a menor ideia o que fazer em relação ao bolo, afinal, assar sem forno, complica um pouco.

Como posso ter um projeto desses, passar quase um mês aqui e NÃO TER FORNO???????? Nem o meu forno a lenha tem forno, ele é uma “chapa” de churrasco velha da minha mãe, com uns tijolos que o Fábio construiu, ficou bonitinho, mas só serve para colocar pão e queijo na chapa no café da manhã com cheiro de lenha. E, no máximo, esquentar o café no bule. E só.

Fiquei vendo aqueles livros de receita meio antigos, que foram da minha mãe, depois a Mari, minha irmã, pegou, e eu trouxe alguma coisa para cá também. Alguém se lembra daquelas coleções tipo  Claúdia Cozinha- os melhores salgados, docinhos apetitosos, para impressionar...então, o livro que descobri a “gororoba” é um que se chama  DOCINHOS E BISCOITOS, ABRIL COLEÇÕES- esse eram quadradinhos de cenoura com frutas secas e achei a idéia legal para pic nic. Quando vi que NÃO VAI NO FORNO, é na panela e depois na travessa para esfriar e cortar, sabia que ia ser esse. Mas já aviso, a receita é muito doida, não tem a origem desse bolinho,nem a história, nem nada, parece meio libanesa, mas aí entra o leite condensado, o amendoim, sei lá...acho que foi alguém que abriu o armário, um dia, adaptou de algum árabe, e falou,  “vai isso, vai isso também e comam aí”... Depois não digam que não avisei.


BOLO GOROROBA DE CENOURA NA PANELA
700 grs de cenoura
400 grs de leite condensado
125 grs de manteiga
100 grs de pistache (sem a casca)
50 grs de uva passa (hidratadas em água por 10 minutos)
6 grãos de cardamomo
50 grs de amendoim (sem casca)
4 colheres de sopa de couz couz marroquino
2 colheres de sopa de mel
MODO DE PREPARO E MINHAS ALTERAÇÕES
Cozinhe as cenouras no vapor por 30 minutos, depois, passe no processador para virar um purê e deixe em uma peneira para escorrer o líquido por pelo menos meia hora.
Em uma panela, com a manteiga já derretida, coloque o purê de cenoura, o cardamomo em pó, as uvas passas, o mel, e SEMPRE EM FOGO BAIXO, acrescente os pistaches, os amendoins, o couz couz e o leite condensado para umedecer e ligar o composto.


Forre uma assadeira com papel manteiga, despeje essa massa uniformemente e salpique a superfície com um pouco mais de pistache para enfeitar. Deixe esfriar por pelo menos uma hora. Quando ESTIVER BEM FRIO, desenforme e corte em quadradinhos, podendo ser conservado na geladeira até a hora de servir.

ALTERAÇÕES QUE EU FIZ

Aqui, na minha roça, não tenho cardamomo, e por coincidência, tinha dessa vez, um pouco de noz moscada (para quem quer dicas- eu gosto de fazer talharini com manteiga, noz moscada e queijo parmesão. Assim, simples. Maravilhoso. Fica a dica). Cenoura e noz moscada, boa combinação. Ok, vai para a panela. AMENDOIM E PISTACHE? Não tinha. Dez da noite. Sabe o que tinha? SUCRILHOS ORGANICOS SEM AÇÚCAR, tipo flocos de milho-  pensei- ok, crocante também, vai dar uma liga, vai para a panela....e couz couz eu tinha. MAS achei estranho colocar o COUZ COUZ assim cru, então, coloquei um pouco de água fervendo por cima para hidratar, absorveu a água e aí sim, usei na receita. ALIAS, eu já tinha feito um bolinho com couz couz aqui no blog, no primeiro mês, mas bem diferente desse.

IMPRESSÃO QUE EU TIVE- que NUNCA, NUNQUINHA, essa receita iria funcionar, é uma GOROROBA na panela, ainda mais que EU NÃO TENHO PROCESSADOR aqui e tive que amassar a cenoura na mão, o que obviamente, deu um resultado “pedaçudo” e esquisito. Imaginem na panela...E também deixei o leite condensado ficar bastante tempo na panela até eu achar que deu “o ponto”, coisa que na receita, não falava nada.

Ah, e os pistaches por cima, para enfeitar...é claro que eu não tinha, então, enfeitei com granola...deu um ar super “paz e amor” para esses quadradinhos de cenoura, mas ninguém sabe do top secret leite condensado...existe orgânico? Eu não sei.
O Fábio olhou a GOROROBA e falou isso é um mingauzão, não vai virar bolo nunca. Vai, meu filho, vai! Só que eu, sinceramente, também achei que não.

HOJE DE MANHÃ, ele ERA UM BOLO!!!!! Deu para cortar em quadradinhos, é gostoso, NÃO É dos dezmais da minha vida, mas é diferente, e é bom. Levei para a FESTA JUNINA DO RANCHO BIJU, nada haver com festa junina, mas era o bolo do dia e eu queria que eles experimentassem. Só depois, quando voltei para casa, me lembrei que queria o FUBÁ deles, gente, vocês não tem noção o que é esse fubá do Rancho Biju...tem que vir para Gonçalves comprar...sinto muito, chicos!  Mas vale muito a pena.

BOLO DE HOJE- ACHEI A VERSÃO ÁRABE DA GOROROBA

Agora vocês façam e comparem, como eu.

Esse bolinho se chama HALVA e eu NÃO ME LEMBRO de ter comido isso, nem na casa da minha mãe, nem na “parentada” lá de Baurue olhem, que a mesa era farta,viu? Já viram o LANCHINHO em casa de árabe? Vem, querida, hoje tem pouca coisa, mas é com carinho,viu,habibe? Não tem problema, lanchinho simples, eu gosto. Kibe, esfiha, hommus, pão Pitta, coalhada seca, figo, nozes, tâmaras, damascos, os doces bem doces com pistache, só um lanchinho mesmo, até a hora do jantar. Ah, entendi.
Mas a tal da HALVA, esse eu nunca vi. Meu pai que me corrija. E esse livro que achei também é um mistério. Normalmente, livro para ser bom, tem que ter AUTOR, um cara que você já admire, ou que você sabe que cozinha muito, e mesmo assim, as vezes, no livro, a pessoa não é muito didática. Eu também gosto de livros com fotos, meu problema, porque devem ter livros excelentes sem fotos, e eu não sei o que estou perdendo. Mas eu me desconcentro, preciso ver a cor, quase como comer a foto. Acho que foi por isso que comprei esse, não me lembro mais. Porque ele NÃO TEM AUTOR! Se chama DISHY DESSERTS,  cheio de idéias legais, de todos os lugares, mas sem uma referencia, nada, nada. Apenas a editora- VINCENT SQUARE BOOKS. Com certeza, comprei pelas fotos. E pesquisa vai, pesquisa vem, me deparei com essa receita que TAMBÉM NÃO VAI NO FORNO, e deve ter sido daí que aquele brasileiro da gororoba se inspirou, na tal da HALVA.

Vamos lá-
350 grs de açúcar
2 paus de canela
Um pouco de açafrão (pistilos)
1 colher de chá de cardamomo moído
225 ml de azeite de oliva
350 grs de SEMOLINA
75 grs de amêndoas em laminas
125 ml de mel
2 colheres de sopa de amêndoas inteiras “brancas”
1 colher de cha de canela em pó
Colocar o açafrão  com o açúcar em uma panela com 600 ml de água e lentamente, levantar fervura, mexendo um poço. Adicionar a canela e o cardamomo por mais 5 minutos. Reservar para infusionar.
Em outra panela, aqueça o azeite de oliva e quando estiver quente, misture com a semolina, em fogo BEM BAIXO por uns 20 minutos, adicionar as amêndoas em lâminas. Colocar o “xarope” de açafrão e deixar ferver. Fora do fogo, adicione o mel e siga o mesmo procedimento da “gororoba”. Coloque sobre cada quadrado uma amêndoa inteira “branca” e um pouquinho de canela.

ADIVINHE QUAL EU GOSTEI MAIS????
Amanhã tem mais.